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8 de nov de 2008

Aguapé: tratamento de efluentes e biomassa

USO DO AGUAPÉ: UM SISTEMA INTEGRADO PARA O TRATAMENTO
DE EFLUENTES E APROVEITAMENTO DA BIOMASSA

É muito comum ouvir que aquele corpo d’água de coloração escura e cheirando mal, era um rio ou uma lagoa de águas claras onde se pescava e se tomava banho. Na tentativa de reverter esse quadro, Carmem Lúcia R Roquette oquette P Pinto into e um grupo de pesquisadores do INT (Instituto Nacional de Tecnologia) estudaram o emprego do aguapé na despoluição de rios e lagoas, e obtiveram um resultado bem interessante, aqui resumido.

Um dos principais trabalhos de Carmem Lúcia é o Projeto Integrado de Desenvolvimento Sustentado para Propriedades Rurais, que transformou uma pequena propriedade do Colégio Agrícola Nilo Peçanha (CANP), no município de Pinheiral, estado do Rio de Janeiro, em modelo de sustentabilidade e uso racional de recursos.

Nesta fazenda modelo o trabalho se iniciou pela suinocultura, que está localizada junto a um sistema de tratamento de efluentes onde caem os excrementos dos porcos. Neste sistema, os aguapés (Eichhornia crassipes) são responsáveis pela filtragem dos nutrientes. Estas plantas se reproduzem com exuberância, porém a preocupação
com sua rápida proliferação e grande resistência pode ser superada com o controle de sua área disponível através da instalação de cercas. Mantendo-se uma densidade de até 70 plantas por metro quadrado, evita-se que o aguapé se torne uma praga. O excesso é retirado e transportado para um galpão, onde é feita a secagem solar do aguapé.
Posteriormente, as plantas são processadas, resultando em produtos comercializáveis como adubo a ser usado na horta, no pomar e no minhocário, além de ração utilizada para a criação de bovinos, suínos e aves.
O Projeto ainda prevê o tratamento dos efluentes da pecuária, avicultura e residência, que serão captados juntos, em um sistema de tanques vegetados que realizam a filtragem das partículas em suspensão, reduzindo os parâmetros de poluição orgânica abaixo dos níveis exigidos pelos órgãos ambientais. Dessa forma a água retornará limpa ao mesmo corpo hídrico de origem, neste caso o Rio Paraíba do Sul.

O aguapé ( Eichhornia crassipes) é uma planta aquática flutuante, nativa da América do Sul, com ampla distribuição nas regiões tropicais e sub-tropicais. Prolifera-se abundantemente durante todo o ano e sua biomassa aumenta rapidamente a uma velocidade de 1 tonelada por hectare/dia. Extrai os nutrientes necessários para sua sobrevivência e despolui os corpos d’água, filtrando o material particulado através de suas raízes, além de absorver metais pesados como prata, chumbo, mercúrio, cádmio e outros. Também promove a oxigenação do corpo hídrico, que é feita tanto pela parte aérea quanto pela ação bioquímica das bactérias que compõem o complexo ecossistema das raízes.
Até a década de 1940, a planta era vista somente como uma praga. Suas propriedades começaram a ser descobertas por pesquisadores da NASA que pretendiam encontrar uma forma de liberar seus canais fluviais, então tomados de aguapé, para o transporte de equipamentos. A partir daí pôde-se observar que possui propriedades de grande interesse e, se bem manejada, torna-se uma importante aliada.
O uso do aguapé para tratar esgoto e corpos d’água poluídos tem as seguintes vantagens:
• Tem custo inferior ao sistema tradicional.
• Remove simultaneamente substâncias
tóxicas e metais pesados.
• Possibilita a assimilação de algumas
substâncias poluentes para reciclagem pela
própria indústria.

Uma maquete detalhada do projeto encontra-se em exposição permanente na Recicloteca.
Segundo a pesquisadora Carmem Lúcia, a planta também poderá ser usada na geração de energia: por queima direta em fornos para a secagem de grãos e para geração de biogás. Contudo, é preciso ressaltar que antes de processar o aguapé é necessário examinar as substâncias existentes na planta e na água onde ela se encontra. Isso porque, além de extrair os nutrientes das águas poluídas, o aguapé ainda absorve e concentra em seus tecidos rejeitos industriais, tais como metais pesados. Tal característica é de grande interesse, pois se mostra como uma alternativa eficiente para
tratamento de efluentes industriais.
Os métodos atualmente utilizados para a despoluição desses efluentes envolvem procedimentos dispendiosos e freqüentemente ineficazes, não alcançando os níveis mínimos de concentração de determinados materiais. Já o tratamento pelo aguapé é mais simples e apresenta vantagens econômicas. Além disso, torna possível a recuperação dos
materiais concentrados na planta para serem reaproveitados pela própria indústria.
Estudos realizados por Carmem Lúcia e sua equipe comprovaram a capacidade de recuperação da prata pelo tratamento do aguapé. Após o cultivo da planta em uma solução contendo 40 mg do material por litro de água, ela foi desidratada e levada às cinzas; em seguida a matéria orgânica foi calcinada, precipitando-se a prata sob forma metálica. O resultado foi a recuperação de 70% da prata com 98% de pureza.
Diante do quadro atual de poluição de corpos hídricos, escassez de água e demais problemas de saneamento, a pesquisa apresentada acima traz uma solução não só adequada, por suas características de custo (é uma alternativa 80% mais econômica que as técnicas convencionais), praticidade, eficiência e sustentabilidade, mas também necessária diante da missão de garantir a todos o acesso à água com sua total capacidade de uso.

EXPERIÊNCIAS BEM SUCEDIDAS
Apesar dos inúmeros benefícios proporcionados pelo tratamento dos corpos hídricos através do aguapé, esta tecnologia ainda é pouco utilizada no Brasil. Veja abaixo alguns exemplos de sucesso do sistema.
• No município de Alfenas, Minas Gerais, através da UNIFENAS: na
despoluição de efluentes domésticos em áreas carentes.
• No bairro de Guadalupe, zona norte do município do Rio de Janeiro: no
tratamento de uma vala negra com aproveitamento da planta para adubo
da horta e criação de peixes.
• No município de Niterói, Rio de Janeiro, através da Secretaria
de Meio Ambiente: na despoluição do córrego Jacaré, que
deságua na Lagoa de Piratininga.
• No distrito de Lumiar - Nova Friburgo, Rio de Janeiro: no
projeto de despoluição de um lago de criação de carpas, com
aproveitamento do aguapé para alimentação de porcos.
• No município de Teresópolis, Rio de Janeiro: no mapeamento
dos poluentes do Rio Paquequér, em parceria com a UERJ.

CARMEM LÚCIA ROQUETE PINTO
A especialista em tecnologia Ambiental Carmem Lúcia Roquette Pinto é pioneira na utilização de plantas aquáticas para limpeza de águas poluídas e aproveitamento da biomassa dessas plantas para obtenção de produtos de valor comercial, o que a levou ao desenvolvimento de projetos integrados de sustentabilidade. Tais projetos têm como foco a geração de emprego e renda.
Na década de 80 a pesquisadora atuou como coordenadora do Núcleo de Tecnologia Ambiental (NUTA) do Instituto Nacional de Tecnologia, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Atualmente Carmem Lúcia trabalha como consultora em projetos na área sócio-ambiental.

Contatos:


Carmen Lúcia Roquete Pinto – clmilu@terra.com.br
Lila Risso Guimarães – lila-eco@br.inter.net


Fontes:

COELHO, T. Aguapé, a planta aquática que despolui. Revista Ecologia e Desenvolvimento. Suplemento, Nº 38, Abril, 1994.
ROQUETE PINTO, C. L. & PAOLIELLO, J. R. New technology for wastewater treatment
with biotechnological process utilizing aquatic plants. Anais da 5th International
Conference on Wetland Systems for Water Pollution Control – Institute for Water Provision, Water Ecology and Waste Management. Universitaet für Bodenkultur – Wien –Viena. Austria. 1996.
ROQUETE PINTO, C. L. e PEREIRA, R. G. Desenvolvimento sustentável para propriedade rural com tecnologia de utilização de plantas aquáticas. Anais do VI Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente. Clube de Engenharia, Rio de Janeiro. 2000.
ROQUETE PINTO, C. L. e LIMA, R. M. Utilização de jacinto d´água para obtenção de proteína de ração animal. Wetland. 1998.
ROQUETE PINTO, C. L., CAÇONIA. A e SOUZA, M. M. Utilization of water hyacinth for removal and recovery of silver from indrustrial wastewater. Water Science Technology, 19 (10), 89-101. 1987.
ROQUETE PINTO, C. L., RUTMAN,R., RISSO,L. Levantamento ambiental e utilização da planta aquática aguapé para sistemas de tratamento de águas. Anais do Second InternationalSeminar on the Environmental Problems of Urban Center, São Paulo. 1993.

Fonte: INFORMATIVO RECICLOTECA Nº 27 -
OUTUBRO, NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 2003